segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Volta 2008

Dia de descanso da Volta 2008. Altura para um primeiro balanço.

Equipas em competição – 7 Nacionais e 10 Estrangeiras.

Mais um ano em que a Volta felizmente continua a ser dominada pelas equipas nacionais, com destaque para a Liberty, que decorrida quase metade da prova, está com uma classificação de excepção, com 4 atletas nos 6 primeiros lugares e todos com possibilidades para a vitória final. Meritório, de facto, mas na verdade ainda não se viu grande oposição, com excepção do David Blanco (inevitavelmente temos que nos interrogar se com a presença la MSS/Póvoa e do seu Director Desportivo esta situação seria possível? Eu não tenho dúvidas em afirmar que não).
De destacar ainda a camisola amarela do “grande” Rui Sousa, o herói da torre.
Mas ainda faltam muitos quilómetros e nada está decidido. Até ao contra-relógio final ainda assistiremos às chegadas no Alto da Sra. Da Assunção e da Senhora da Graça, ambas propicias a ataques dos principais candidatos à geral e com fortes perspectivas de proporcionarem alterações no topo da classificação.
Passada a “etapa rainha”, o primeiro atleta de uma equipa estrangeira está em 10º lugar e já a 5m38s. Como infelizmente já nos habituamos, e para não fugir à regra, as equipas estrangeiras vieram para rodar e/ou completar o pelotão. Mas a verdade é que não temos equipas nacionais suficientes para uma volta condigna (e se tal não bastasse, ainda tivemos o privilégio único de assistir ao afastamento de uma equipa candidata à vitória, que nas suas fileiras conta apenas com o vencedor da Volta de 2007 e o actual Campeão Nacional, entre outros valores, pelas tristes razões sobejamente conhecidas – principalmente por hipocrisia da organização e da FPC) e as equipas estrangeiras além de úteis, são necessárias. Pena é que, não venham para disputar a volta e abrilhantar o espectáculo.
Pela negativa, assistimos a manifestações de mau perder que resultam em atitudes pouco dignificantes de responsáveis de algumas equipas, a quem competia, em primeira instância, procurarem dignificar o seu trabalho e o dos seus atletas. E que, por consequência, alguns atletas dão seguimento aos seus chefes, tentando desculpabilizar-se do seu mau rendimento “atacando” os seus colegas de profissão. Abstenho-me de indicar nomes e factos, eles são sobejamente conhecidos dos adeptos que acompanham a modalidade. Infelizmente nada a que não estejamos já habituados. Sempre aconteceu, é verdade, mas normalmente dentro de um círculo restrito e não na comunicação social, como agora (infelizmente) parece tornar-se habitual.
Também é triste verificar algum alheamento dos adeptos, não se assistindo às habituais multidões ao longo das estradas e principalmente nos finais das etapas. Continuam a comparecer, é verdade, mas em muito menor número. Certamente, a esse facto não será alheio todo o clima de suspeição e hipocrisia em volta da modalidade e dos seus interlocutores. Tenho a esperança que nas etapas do norte esta situação se possa inverter.
Hoje mesmo foi possível ler nos órgãos da comunicação social a possibilidade da constituição de uma nova equipa já para a próxima época desportiva, projecto de dois grandes nomes do ciclismo nacional, o que é sempre de aplaudir. Porém, como não há bela sem senão, parece que a concretizar-se, esse projecto poderá implicar a extinção de uma outra equipa, à qual esses dois nomes estão presentemente ligados, que, pese embora todas as condições ímpares de que beneficia, ainda não obteve os resultados que lhes eram esperados, desiludindo em toda a linha.
Resta-nos aguardar o desenvolvimento deste assunto, até porque nos dias actuais, a principal dificuldade para a constituição de uma nova equipa será a obtenção dos patrocínios necessários. Não podemos esquecer que os poucos patrocinadores que ainda vão investindo apenas o fazem por paixão, acompanhando de perto a modalidade, e o seu actual estado, com todas as suas “guerras e intrigas (palacianas e não só), inevitavelmente terão como consequência lógica o seu afastamento.
Mas, e como o tempo é de festa, amanhã há mais Volta, regressando os “bravos” (os que lá foram aceites) à estrada, que é o que todos os adeptos ansiosamente aguardam.
António Amorim

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